Botecos


Adoro botecos podres. Pintura descascada, decoração horrível, comida intragável, e principalmente o preço da bebida. Porra, o que me desanima nas famigeradas “baladas” é o preço do goró. Se a intenção é apenas beber e conversar, nada melhor que um bom boteco pé-de-porco. Divertido e econômico.

Um exemplo desses bares sujos que eu amo é insuperável Vai-e-Vem, do meu amigo Chumbinho, que fica na Rua Riachuelo quase na esquina com a 23 de maio. Lá temos tudo o que eu gosto num boteco, a parede é decorada com um escudo do Coringão e logo abaixo dele temos uma coleção de quadros com fotos das equipes que ganharam os principais títulos. Ah, e um poster do Santos, tendo-se em vista que o Chumbinho é santista. Corinthiano é o Alemão, El Patrón , dono do boteco, que tá sempre bêbedo e toda a vez que me vê me mostra algum CD que ele comprou, sempre Jazz, quase sempre Be-Bop. Não é em qualquer boteco dessa categoria que você vai ouvir Charlie Parker enquanto se degusta uma deliciosa dose de pinga com limão a R$ 0,80. Temos também os anúncios nas paredes: “Beirute”, que ninguém nunca viu. “Peixes Frito”, que além de não ter concordância, eles nunca o tiveram, de fato. E o melhor, “Ovos de GORDONA”, que mesmo se existisse eu não gostaria NADA de experimentar.

Além do que temos a rica fauna que freqüenta o local. Meus amigos mais largados ( Almir, Mercury, Presunto…) , e as figurinhas carimbadas, o Perito Contador, o Livreiro, o Chefe da Segurança, o Valente, os taxistas… um mais bizarro que o outro. O Almir invariavelmente acabava jogando dominó com os taxistas, o Mercury sempre pegava ( e ainda pega ) mais um “querosene”, o Perito, chato pra caralho, sempre puxava assunto e a besta do Almir sempre acabava dando trela, felizmente isso agora é raro. Mas o mais legal é mesmo o Valente, um trintão com jeito meio psicótico, professor de fotografia. Fumeiro, bebum, barangueiro… Como todos nós. Além do que, vira e mexe tem um Hash do bom.

Uma vez era de tarde, tínhamos prova, e como não estávamos tão radicais como estamos hoje, fomos lá só pra tomar um cafezinho. Nisso tinha um tio muito estranho do nosso lado que começou a puxar assunto num portunhol tosco. E o Almir, só pra variar, deu trela. Pra que? O bicho começou a falar, falar, uma mentira pior que a outra. Falou que tinha apertado a mão do Guevara, que conhecia num-sei-quem, que iria fazer num-sei-que, enfim, que ele era muito foda. O que me intriga é a razão de um cara tão foda assim estar com um puta cheiro de cachaça a essa hora do dia…

Enfim, um lugar ótimo pra se chapar e trocar as idéias mais absurdas, bêbado, fumado e/ou cheirado, lá é o lugar, quando estamos de saco cheio do velho Porão, lá é o nosso doce refúgio, em meio aos ratos e baratas do Centrão.

Questão de identificação.

Braga

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