Putas do lar

Às vezes eu ouvia minha mãe reclamar das putas que meu pai supostamente comia, dizia que elas arrancavam a grana dele. Minha mãe até tinha alguma razão, mas meu pai também tinha que pagar pelo o que comia. Calote não é uma coisa legal.

Pensando nessa relação entre dinheiro e sexo, fiquei observando que muitas mulheres se casavam por dinheiro, mas nunca eram tachadas de prostitutas. Quando uma pessoa se sujeita a isso, e se acha melhor que uma prostituta, tem alguma coisa errada. Afinal de contas ela vai receber pelos serviços prestados durante o casamento. A única diferença é que além de sexo ela também vai cuidar do “lar”. O que, aliás, é justíssimo tendo em vista que quem compra uma mercadoria quer o maior desempenho possível ao menor custo. Acho jogo pro consumidor. Duas em uma: prostituta e empregada.

Pessoas que se vendem reclamam de serem tratadas como objetos. Quando a gente compra algo, podemos fazer o que quisermos com ele: colocar no chão, encaixotar, guardar no armário e até mesmo buscar objetos mais novos, modernos e com mais utilidade. Não deve haver reclamação quando a pessoa se vende por livre e espontânea vontade. Alguém aceitou comprar, logo tem todo o direito, a não ser que fique explícito que a pessoa em questão está se vendendo e quer receber o pagamento por cada serviço prestado.

Uma solução simples para esses casos seria um contrato de compra e venda ou um aluguel para quem quiser testar a eficiência do produto antes de desembolsar valores mais altos.

Outra coisa que está associada à venda são as mulheres que engravidam pra angariar uma mesada futura. Antes eu achava que elas faziam isso pra manter o seu grande amor… ilusão que veio abaixo quando perguntaram a uma pessoa menos conhecida que engravidou do vocalista de uma famosa banda de rock inglesa e ela respondeu:

– Aconteceu…

Como disse Matthew Fitzgerald:

“Ela vai jurar que não liga para dinheiro, mas ainda assim ela insensivelmente rejeita qualquer um com um salário mixuruca (a menos que ela ache que pode fazê-lo entrar numa carreira mais lucrativa)”.

Gravidez não acontece, acontece na camada mais baixa da sociedade, onde as pessoas não têm qualquer informação sobre contraceptivos, não tem acesso à educação, e a coisa mais interessante pra se fazer é sexo e filhos. A ex-desconhecida não teve um filho com um cara desconhecido, talvez se fosse com o português da padaria eu até acreditaria que era por amor ou aconteceu.

Claro que alguns têm que pagar, ninguém em sã consciência casaria com o Ronaldinho, creio eu, nem que fosse por uma semana, se não fosse por dinheiro. Ninguém é de ferro. Que nos diga a Daniela Cicarelli.

Mas pra não acharem que escrevo/falo demais, uma vez uma moça me disse:

– Gosto daquele cara, mas ele não tem situação financeira definida. Preciso de alguém que me dê estabilidade. Preciso me sentir segura.

– Quer uma pessoa pra dividir a vida ou se casar com uma carteira? – perguntei – Não seria melhor arrumar um emprego?

Depois não querem ser tratadas como empregadas ou objetos.

Escrito por Hate, que está totalmente disponível para o amor e precisando se sentir segura caso algum milionário venha a ler esse texto.

One Response to Putas do lar

  1. Jeanioz says:

    Malditos neo-liberais!!!!!!!! XD

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