A guerra dos lixeiros Ou a batalha pela sidra cereser

Faltavam poucos dias para o natal, eu estava acabando de embrulhar um pênis de papel marchê que eu havia feito com muito carinho para mandar pelo correio para a casa do meu ex-patrão, não chegaria a tempo de abrilhantar a festa dele e da família, mas o que vale é a intenção.

Nisso começa uma puta balburdia na rua, buzinas, cachorros latindo e varias vozes diferentes cada uma com um sotaque mais exótico, todos gritavam algo totalmente incompreensível. Eu fui até a janela pra ver do que se tratava e ví que era o caminhão da coleta do lixo que estava buzinando e os coletores que estavam gritando, eles queriam a famosa caixinha de natal…

Eu já estava saindo de mansinho da janela para que não me notassem, mas lembrei que eles haviam me quebrado um galho recolhendo um monte de carpete velho que eu tinha arrancado dos quartos da casa, eles não tinham obrigação de levar aquele entulho, mas levaram tudo sem reclamar.

Gritei um “espera um pouco que eu vou descer”, peguei minha carteira e fui descendo a escada para dar uns 20 reais para eles. Mas para minha surpresa, quando abri a merda da carteira notei que não tinha nem mesmo uma moedinha nela…

Pensei: Fodeu! Os caras tão esperando com a merda do caminhão parado na minha porta e eu não tenho um puto sequer na carteira.

Não tive opção, peguei duas sidras cereser da cesta de natal que a minha esposa ganhou no trabalho e levei até o portão.

O lixeiro que estava sorrindo fechou a cara quando viu o que eu estava trazendo, pegou as garrafas e murmurou um “obrigado” com uma cara de “ano que vem me de dinheiro” e eu respondi um “por nada” com cara de “no ano que vem não te dou porra nenhuma“.

Meio sem graça voltei para dentro e terminei de embalar o presente do meu ex-patrão, o levei para o correio e voltei pra casa em menos de 20 minutos.

Liguei a televisão, desabotoei as calças, sentei no sofá e escutei novamente a mesma balburdia de antes na rua, não entendi nada, o lixeiro estava passando denovo?! Eles que se fodessem, eu não ia levantar a bunda do sofá pra ver do que se tratava.

Mas dessa vez o barulho não parava e notei que havia uma aglomeração na porta do vizinho, não resisti, abotoei as calcas e fui lá fora ver o que estava acontecendo.

Meu vizinho, o Sr. Corno Surdo Filho da Puta do Caralho, estava explicando para 4 coletores com cara de poucos amigos que já havia dado a caixinha de natal para a equipe do caminhão que havia passado antes.

Eu confirmei o que meu vizinho corno havia dito e os caras ficaram mais nervosos ainda, eles deduziram que um caminhão de lixeiros falsos estava passando antes deles para recolher as caixinhas, segundo eles isso não era incomum de acontecer.

Só no Brasil pra uma merda dessas acontecer! Nego roubando a caixinha de natal dos lixeiros…

Eles pediram se podíamos dar a caixinha para eles também, pois eles eram os lixeiros verdadeiros dessa rua.

Meu vizinho corno ficou com dó e deu 5 reais para eles, mas eu neguei e disse que não tinha jeito pois tinha dado para os lixeiros impostores meus últimos 50 reais.

Quando os meninos ouviram isso seus olhos brilharam de raiva dos outros:

– Você deu 50 paus pra eles???

– Sim eu dei…

Eles correram pro caminhão e saíram o mais rápido possível para tentar alcançar os outros e recuperar na porrada suas caixinhas de natal…

No outro dia fui até a padaria comprar pão e mortadela para um saudável café da manhã.
O comentário entre os aposentados e os pinguços matinais no balcão era sobre a briga de lixeiros que havia acontecido há algumas ruas da minha casa, parece que tiveram até que chamar a polícia pra resolver a situação e que todo mundo foi parar na delegacia com caminhões, lixo e sidra… mas com certeza sem os 50 reais.

7 Responses to A guerra dos lixeiros Ou a batalha pela sidra cereser

  1. Thiago says:

    Oi..Que blog diferente…Curti o contéudo, diferenciado e sem frescuras…Até mais.

  2. Joakins says:

    seja quem for esse thiago, ele quer dar pro Doente que fez essa montagem da sidra

  3. Joca says:

    Meu Brasil brasileiro…

  4. Sorete says:

    É por isso que todo fim de ano eu jogo no lixo garrafas de 2 litros cheias de amoníaco.E quando estou deprimido, coloco junto umas bolinhas de naftalina.

  5. TheM says:

    muito bom . ri muito. ps: fui indicado no album de fotos de alguem que vcs pegam no pé.

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