Resíduos de uma churrascaria

Pela manhã senti uma movimentação estranha em meu intestino indicando que um evento de grande magnitude estaria por ocorrer. Sentei-me no confortável trono de louça e comecei o árduo trabalho. Inicialmente três ou quadro rajadas de gases saíram violentamente, anunciando a chegada do expresso bosta.

Quando terminei olhei para o objeto que suavemente flutuava no vaso. Não conseguia acreditar que eu mesmo tinha feito tamanha obra prima. Aquele ser, de corpo vistoso e lustroso, de cor marrom bombom, insistia em manter uma das extremidades para fora da água. Parecia até demonstrar sentimento de alegria por ter sido finalmente colocado em liberdade.

Liberdade essa conquistada depois de muita luta, pois seu tamanho era imenso. Tão grande que não era possível acreditar que tal artefato tenha saído do meu ânus, um cu normal, de calibre mediano. Sua espessura era tão imensa que tenho certeza que se meu velho pai olhasse para aquilo me perguntaria preocupado, com aquele vozeirão: – Já levastes ferro, meu filho?

Nesse momento convém deixar claro que nenhum objeto jamais entrou pela contramão em meu orifício anal. Bem… exceto na minha tenra infância quando minha amada mamãezinha gentilmente introduzia supositórios com aqueles seus dedinhos de pele macia… ah, saudades dos tempos de criança…

Mas voltando ao assunto em discussão, a saída daquele monumento não foi indolor. Pelo contrário, me deixou seqüelas. Creio que umas cinco pregas se perderam naquele exato momento. Algumas lágrimas saíram de meus olhos, lágrimas que julguei como boas, pois serviriam como resposta negativa ao questionamento preocupado de meu velho pai.

Fiquei um bom tempo ali parado, observando a beleza daquela escultura. Me questionava como teria se formado aquela obra-prima? Na noite anterior jantei em uma excelente churrascaria. Teria sido então ação das proteínas da maminha? A lubrificação intestinal promovida pelos ácidos graxos existentes na gordura da picanha? Ou seriam as fibras da banana frita que os garçons gentilmente serviram como aperitivo? Na verdade não sei como aquela massa formada por fluidos estomacais e restos de um bom churrasco se transformou naquela obra de arte que, de tão bela, mereceria repousar sobre a mais pura água mineral. Infelizmente não pude lhe dar esse destino, pois o esforço para sua saída foi tamanho que me comprimiu a bexiga, causando a fuga de alguns mililitros de urina.

Passei um bom tempo contemplando aquela escultura, que poderia até mesmo ser invejada por Auguste Rodin. Era tão magnifica que sentia um orgulho de pai. Na verdade , tive vontade de assinar a obra.

Senti muito remorso por ter que acionar a válvula da descarga, mas não poderia deixar aquele incrível elemento que saiu das minhas entranhas a mercê das moscas. Por isso criei coragem e mandei-a para junto de seus semelhantes, na escuridão dos dutos de esgoto. Mas, não podia deixar de compartilhar uma bela criação da natureza com meus amigos, então tirei uma foto antes de deixar ela partir rumo ao seu destino final.

Guest Cagão

2 Responses to Resíduos de uma churrascaria

  1. Anonymous says:

    Magnífico

  2. Anonymous says:

    auto estupro.

Deixe um comentário

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: