Não me restam alternativas

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Pois bem. Chegamos a uma encruzilhada. Não há mais a quem sacanear. Outro dia, ao encontrar o velho Fumaça de guerra, amigo de infância, mandei: falaí, neguinho. Ao que o supracitado me responde – Neguinho, não. Afro-descendente. Não me restou escolha senão “vai tomar no cu(ú), crioulo”. A rua parou, queriam chamar o RJTV, populares gritando “justiça, justiça, justiça”, direitos humanos, revista Raça, todo esse tipo de viadagem.

Por falar em viadagem, experimente sacanear um homofílico. Basta apenas chamar aquele seu amigo criado por vó de “viadinho” e vem Grupo Atobá, ex-prefeita paulista, Regina Casé, tremulam as escrotas bandeiras arco-íris (ou do Fluminense, como queiram) e a parada gay inteira a te tacar pedras. Chatos pra caralho.

Piada de judeu, via de regra, é o pior. Porque, além das críticas, vem uma indefectível cara de choro do ouvinte. Uma coisa meio com nojo da sua piada desumana. Tipo criança que cagou fora do pinico. Tem que dar a sacaneada e pedir perdão em seguida. E são os próprios quem produzem as melhores e mais cruéis anedotas anti-semitas.

Existem outras minorias pouco engraçadas. Ciganos, por exemplo. Toda minoria sacaneável deve contar com um mínimo de simpatia do falante e do ouvinte. Cigano merece porrada. Só por conta da parcela feminina que lê mão no meio da rua e cheira a bueiro.

Ou índio. Piada de índio não tem graça. Porque não há piada sem transferência. Freud, esse cheirador batuta. Ninguém tem um amigo índio no escritório, vizinho índio. Tremendo mousse de chuchu essa porra de ser índio.

Existe, porém, um último panteão de gozação. Essa figura auto-explicativa que é o nordestino. Alguém conhece algum grupo de proteção ao cabeça-chata ? Aproveite e refastele-se, ó filisteu.

foge, disgrama, foge
foge, disgrama, foge

E não confunda o nortista com nordestino. Sabe-se de caso de homicídio múltiplo em que o réu, paraense, foi chamado de paraíba. Via de regra, convém nem chamar o baiano, que se acha sulista, de nordestino.

Traiçoeiros, ainda tentam ganhar alguns trocados trocando a inevitável carreira de porteiro pela de comediante auto-sacaneando-se a si próprios. Mas isso são apenas falácias a nos distraírem. É como se o gordinho da rua chutasse a própria bunda e, assim, ninguém mais tivesse vontade de castigá-lo como ele merece por ter nascido assim, redondo.

Destarte, nada mais nos serve como apelo fácil e imediato além de fazer piada com esse povo comedor de calango. É, portanto, a última fronteira pro sujeito mal humorado que não resiste a fuder com a minoria alheia.

Cervejeiro não escreveu endereçado a nenhum paraíba cuja mãe está na zona e nem é preconceituoso. Acredita apenas, pobre mancebo, na capacidade do ser humano de rir de si próprio. E dos paraíbas, em geral.

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