Eu voto SIM!

Revista Veja aconselha seus leitores a Votar “Não”!

A Revista Veja publicou matéria de capa declarando “7 razões para votar NÃO” no plebiscito do comércio de armas a ser realizado em outubro.

Entre várias ilustrações e texto fluente, a revista fez o que faz de melhor: usar os recursos de comunicação visual para defender seu ponto de vista. Os argumentos a favor do comércio de armas são preponderantemente emocionais. Eles focam, sobretudo, o instinto primal de auto-defesa: o medo da ameaça e o desejo de ter mais força que ela, podendo assim rechaça-la. Esse instinto primitivo está presente em todos, dai a facilidade de persuasão dos argumentos. Mas eles desconsideram a complexidade social. Se ter armas parece ser coerente do ponto de vista individual, é uma insanidade quando se pensa no conjunto.

Vejamos aos 7 “argumentos” da Revista:

1. OS PAÍSES QUE PROIBIRAM A VENDA DE ARMAS TIVERAM AUMENTO DA CRIMINALIDADE E DA CRUELDADE DOS BANDIDOS

Como a própria Revista diz em sua primeira frase: “A experiência internacional demonstra que a quantidade de armas nas mãos da população não determina o grau de violência de uma sociedade”. Nenhum estudo até o momento conseguiu comprovar correlação entre a permissão de venda de armas e criminalidade. A chamada do argumento é cuidadosamente tendenciosa.

O referendo não se propõe a diminuir a criminalidade. O número de crimes é fruto da realidade social de cada país e não da existência de armas. A ilegalidade na venda vai diminuir as mortes acidentais, bem como o envolvimeto de terceiros em conflitos. Com armas de fogo um único delinqüente pode ameaçar um número muito maior de pessoas.

2. AS PESSOAS TEMEM AS ARMAS. A VITÓRIA DO “SIM” NO REFERENDO NÃO VAI TIRÁ-LAS DE CIRCULAÇÃO NO BRASIL

Frase da Revista: “A culpa pelos altos índices de criminalidade e de homicídios não é da arma, mas de quem a tem em mãos”. É ilusão pensar, como defende a Revista, que o bandido comum, que assalta na rua, compra armas no mercado negro. O trombadinha, o meliante, o estuprador, eles se armam com armas civis. Roubadas de civis. Não são do crime organizado. Não se assaltam padarias ou invadem-se casas com AR-15 e granadas. Faz-se isso com o 22 ou o 38 comuns. Pegos de civis.

Quem defende o SIM, não tem necessariamente medo de armas. Apenas sabe claramente que quando armamos a população, armamos os bandidos. Se entendermos que para nos defender precisamos ter uma arma, todos terão artmas, os bandidos conseguirão armas com mais facilidade, precisaríamos de armas maiores, e o resultado é uma sociedade neurótica.

O primeiro passo para desarmar os bandidos é desarmar os civis. E isso exige coragem.

nota: para o economista “Marcel Solimeo”, aviso que armas e automóveis não são a mesma coisa. Um tem por atividade fim o transporte a outra a agressão pura e simples. Dizer que argumentos contra um objeto de agressão são aplicáveis a um objeto de utilidade, sim, é falacioso.

3. O DESARMAMENTO DA POPULAÇÃO É HISTORICAMENTE UM DOS PILARES DO TOTALITARISMO. HITLER, STALIN, MUSSOLINI, FIDEL CASTRO E MAO TSÉ-TUNG ESTÃO ENTRE OS QUE PROIBIRAM O POVO DE POSSUIR ARMAS

Falácia. O “argumento” remete o leitor ao medo de um fantasma cuidadosamente construido nas últimas décadas no ocidente. A população era desarmada tentando evitar uma revolução contra o Estado. Nos dias de hoje, com a integração internacional e a solidificação da democracia, um golpe totalitarista no Brasil é algo tão remoto quanto a boa intenção na pessoa que construiu tal argumento.

O objetivo do referendo não é possibilitar um golpe totalitarista no Brasil, mas evitar que crianças levem armas para escola para atirar nos coleguinhas. Coisa que, felizmente, ainda não aconteceu por aqui.

4. A POLICÍA BRASILEIRA É INCAPAZ DE GARANTIR A SEGURANÇA DOS CIDADÃOS

Se todos tiverem armas, não há mais ordem ou justiça. Há um faroeste, onde causas banais podem levam a morte de cidadãos.

O direito de defesa continua intacto. A defesa de um não pode ameaçar a segurança de outro. Isso é o que acontece havendo armas.

Armas não defendem ninguém. Se uma mulher tem medo de assaltos, deve agir de forma defensiva, andando acompanhada e evitando locais de risco. Havendo armas, ganha que aponta primeiro e bandidos sempre apontam primeiro, pois agem de de forma planejada. Sem armas, ainda se pode correr.

5. A PROIBIÇÃO VAI ALIMENTAR O JÁ FULGURANTE COMÉRCIO ILEGAL DE ARMAS

A uma diferença grande entre o bandido comum e o crime organizado. Esse último é o que aparece na televisão, com granadas e AR-15, e que querem nos convencer que são os mesmos que nos assaltam na rua. Mentira. O comércio ilegal que tem acesso o bandido comum é o de armas roubadas, adquiridas de civis.

Com a proibição, a fiscalização da polícia fica mais fácil, pois toda arma é potencialmente ilegal. As armas também ficam menos numerosas e mais caras, o que dificulta sua aquisição. Bandido comum não tem dinheiro para pagar muito por armas. Os que tem dinheiro para pagar, não assaltam na rua, nem invadem residências.

6. OBVIAMENTE, OS CRIMINOSOS NÃO VÃO OBEDECER À PROIBIÇÃO DO COMÉRCIO DE ARMAS

Novo argumanto de má-fé. A dificuldade para obtenção de armas é para todos. E bandidos comuns não tem acesso ao tráfico ostensivo. Veja o argumento anterior.

7. O REFERENDO DESVIA A ATENÇÃO DAQUILO QUE DEVE REALMENTE SER FEITO: A LIMPEZA E O APARELHAMENTO DA POLÍCIA, DA JUSTIÇA E DAS PENITENCIÁRIAS

A existencia do referendo não exclui providências quanto as questões levantadas. Ele é uma providência A MAIS para melhorarmos a qualidade de vida no país.

Com essa matéria, a Revista Veja mostrou que é aquilo que todos que lêem mais de uma revista no páis podem deduzir com facilidade: é uma Revista tecnicamente muito competente, mas moralmente mediocre. O desenho da capa está incompleto. Quem segura as armas é a Edição da Revista e a Indústria Armamentista. Espero que nossa bancada parlamentar favorável ao desarmamento esteja articulada o suficiente para entrar na justiça, requisitando matéria na revista, com mesma publicidade e espaço, para defender o que é direito da população: saber o mal que é deixar as coisas como elas estão.


postado por Andro Yoda

3 Responses to Eu voto SIM!

  1. Isaque says:

    10 ano ja e a bananolandia realmente virou pais de primeiro mundo !

  2. Frank says:

    Ainda bem que o Brasil melhorou muito desde então. Vitória do povo eleitor.

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