“A Moral” Dominical

Há muita coisa decadente na televisão, mas hoje tem algo que acho que supera todos os limites da moralidade: cirurgia plástica.

A parte a comédia de resultados, basta ver alguns canais da TV aberta no domingo para confirmar como na moral distorcida da TV vale mais ganhar dinheiro que respeitar o telespectador. Não falo em respeito me referindo ao bom gosto do que é apresentado. Falo da indecência de, sabendo que é um veículo de informação de massa que forma opinião em faixas da população carentes de acesso a outras fontes de informação, a televisão (leia-se: “as pessoas que fazem televisão”) é imoral ao ponto de banalizar aos olhos do povo um procedimento invasivo e potencialmente perigoso. Não bastasse a banalização, os procedimentos são “vendidos” como solução definitiva e certa para inúmeros problemas psicológicos, coisa que, dada as estratégias de apresentação aplicadas, é facilmente assimilada pela população mais carente.

Dou nome aos bois: Márcia Goldsmith e Augusto Liberato, para citar duas vitrines dessa barbaridade. Por que fazem isso? Porque lhes dá dinheiro na forma de audiência e patrocínio, é claro. Não importa se a população está recebendo informações distorcidas sobre um procediemnto médico. Não importa se ela é levada a acreditar que uma alteração estética pode (ou “vai”, como os apresentadores fazem enteder) mudar sua realidade social.

Os programas não destacam a existência de qualquer risco ou a necessidade de qualquer acompanhamento pós-cirúrgico, fazendo parecer ao público que a cirurgia é um milagre. Pegar uma pessoa humilde e fazê-la passar por um procedimento médico invasivo, depois abandoná-la à própria sorte (como se faz parecer, se é que isso não é feito de fato) e vender isso na TV como um conto de Cinderela é um desrespeito ao telespectador. Da mesma forma, a omissão do Ministério Público, do Ministério da Saúde e do Conselho Federal de Medicina sobre o assunto é um desrespeito a todos.

Para o bem do público, gostaria que esses agentes patogênicos da TV pegassem sempre todo o dinheiro que ganhassem com esse tipo de coisa, contratassem um cirugião plástico e o fizessem costurar todo o dinheiro que sobrasse no buraco mais baixo que tivessem no corpo. Infelizmente, acho que nem a repetição contínua desse procediemnto seria suficiente para fazê-los pensar no bem dos telespectadores quando o assunto for ganhar o vil metal.


postado por Andro Yoda

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